O pecado que Deus mais combateu no V.T. foi a idolatria. Foi devido a este pecado que o povo de Israel foi várias vezes para o cativeiro. O marco histórico que é testemunha da ação curadora de Deus se encontra na narrativa da vida de Daniel e seus amigos que, embora todas as ameaças, mantiveram-se fiéis ao Deus de Israel, mesmo estando em terra do cativeiro e com o risco de perderem todas as regalias concedidas pelo império babilônico. De fato, foi exatamente na babilônia que o povo de Israel aprendeu a adorar a Yahweh.
Ao mesmo tempo em que a ida para a babilônia fora um meio didático de Deus ensinar ao povo o monoteísmo, este cativeiro também impôs sobre a religião de Israel três grandes desafios:
a. Cultuar a Deus pela forma prescrita pela Lei de Moisés. Neste primeiro desafio temos a origem dos escribas e fariseus, os quais trabalharam para a conservação dos escritos da Lei e para a prática daquilo que estava registrado.
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b. Aprender a cultuar sem a presença do templo de Jerusalém. No segundo desafio encontramos a origem da sinagoga, local este idealizado pelos israelitas piedosos, no cativeiro babilônico, com o fim de ser aquele local no qual qualquer judeu poderia cultuar ao Deus de Israel e aprender de sua Lei.
c. Manter sempre na vida e no coração dos judeus a esperança messiânica. Nisto os profetas sistematicamente continuaram profetizando sobre a vinda o Libertador de Israel (Ml 4:5,6). Além dos profetas inspirados, Deus se utilizou de outros escritos judaicos (livros apócrifos, pseudepígrafos, etc.), originados no período interbíblico que, embora não inspirados, certamente avivou na mente dos judeus o messianismo em um período de completa escassez da voz profética divinamente autoritativa.
Deus, como o senhor da história, levantou reinos e os abateu com o fim de preparar o mundo para a vinda de seu filho. Observemos a seguir as contribuições da cada nação para o advento do Messias:
a. Império Babilônico: a sinagoga, os fariseus, os escribas, a cura da idolatria, a volta à Lei de Deus, dispersão.
b. Império Medo-Persa: o retorno à Jerusalém, a reconstrução desta cidade e a reconstrução do templo.
c. Império Grego: a união do ocidente ao oriente, a disseminação da cultura e línguas gregas, elaboração da Septuaginta (LXX).
d. Império Romano: A liberdade religiosa a Israel, paz na Palestina e liberdade de ir e vir em toda a região governada pelo Império Romano (pax romana), construção de estradas.
e. Os Judeus: A posição geográfica, o escribismo, o profetismo, a sinagoga, o messianismo e o nacionalismo.
1. Conceito
Etimologicamente, “interbíblico” quer dizer “entre a Bíblia”, ou melhor “entre os dois Testamentos”, isto é, entre o Velho e o Novo Testamento assim como se acham hoje
Historicamente, podemos conceituá-lo como sendo aquele largo período de tempo, entre Malaquias e Mateus, que durou mais ou menos 400 anos.
O livro de Malaquias, último profeta do VT, termina com a promessa do precursor do Messias (Ml 4:4-6 e 3:1). E Mateus 3:1 é o cumprimento fiel desta profecia. No decurso desses anos, entre a profecia verbalizada e a profecia cumprida, houve mudanças radicais na terra e na vida do podo de Deus, como também na vida e nos costumes das nações gentias.
2. Fatos Importantes
a. Silêncio Profético
Neste período nenhum homem se levantou dizendo “assim diz o Senhor”. Os judeus tão acostumados às diretas revelações divinas através dos profetas, viram em Malaquias a última manifestação da revelação de Deus ao povo da aliança.
b. Helenização do mundo
Neste período, o grande império grego é o fato histórico que muito vai influenciar a vida no Novo Testamento. Sua história estende-se das primeiras conquistas de Felipe (
c. Revolta Macabéia
Podemos dizer que a revolta macabéia foi um movimento militar iniciado por Matatias e seus cinco filhos, contra a perseguição e influência grega aos judeus. O período macabeu (167-
d. Império Romano
O período romano neste estudo não se refere totalmente à dominação romana no mundo, mas à intervenção de Roma na Ásia, de modo particular na Palestina. A supremacia romana no mundo, data das Guerras Púnicas, mais de dois séculos antes de Cristo. Para o estudo do Período Interbíblico basta dizer que o poder romano em Israel começou em
e. Livros Apócrifos
e.1 Conceituação
“Apócrifa” é um vocábulo grego que significa “aquilo que está oculto”. Usado primitivamente em literatura para designar o que achava em sigilo para os iniciados e revelado aos sábios. Séculos depois serviu para designar escritos de segunda classe. Nos dias de Jerônimo (tradutor de Vulgata Latina) designava a literatura “falsa”, isto é, não inspirada; sentido este que permaneceu. Hoje, “apócrifo” significa “falso”. Como usualmente o entendemos, refere-se à coleção de livros não canônicos, incorporados à Septuaginta (LXX), à Antiga Latina e à Vulgata Latina; rejeitados, entretanto, pelos judeus e Protestantes.
e.2 Fatores Históricos
A produção dos livros apócrifos tem sido explicado por uma série de fatores históricos pelos quais o povo de Israel passou e que ocorrem neste período denominado Interbíblico. Vejamos cada um deles:
* O silêncio Profético: Depois de Malaquias os judeus não receberam uma só palavra de Deus por meio de profecias. Nisto, então, começaram a ficar decepcionados com as promessas messiânicas. Faltando-lhes a revelação divina, voaram nas asas da imaginação, urdindo planos que formaram peças literárias, cujas preocupações eram consolar o povo que esperava uma palavra de Deus. Entretanto, no silêncio da voz divina, multiplicaram-se as palavras humanas.
* A dispersão dos judeus: Antes de Nabucodonosor, os reis de Judá tudo fizeram para manter a unidade nacional. Uma vez disperso o rebanho do sul, em que repousavam todas as esperanças do futuro da teocracia; uma vez Judá em contato com estrangeiros, derrotado e humilhado; aflito e desnorteado, separado do templo e quebrada a sua hegemonia, enfraquecida a força de suas tradições, abandonaram velhos costumes, adquiriram riquezas, espalharam-se pelo mundo, lembrando-se sempre de Jerusalém e mantendo-se firme e fiel a Deus e à sua Palavra. Dessa nostalgia nasceram muitos livros apócrifos.
* O espírito nacionalista do judeu ao interpretar as profecias: este povo era exageradamente imediatista e concebia um reino messiânico temporal e segundo os seus caprichos. E em certos livros apócrifos encontramos este tema sendo abordado.
* As perseguições: As perseguições movidas pelos sírios, após a morte de Alexandre o Grande, muito contribuiu para a proliferação deste tipo de literatura. O Povo de Israel tinha uma história de glória à contar; mas agora seu templo estava profanado e os seus tesouros do passado roubados. Vem a reação que começa com o despertar do sentimento nacionalista. O povo luta e registra seus feitos e aparecem os livros de I e II Macabeus. Talvez os mais lindos e os mais plenos de patriotismo ardoroso de todos os apócrifos.
* Helenização da cultura e da fé: com o império grego, muitos judeus tendem à aceitar o modo de vida e valores desta nação. Neste contexto, os livros apócrifos são ao mesmo tempo uma reprovação aos judeus helenizados, que se deixavam de várias formas se influenciarem aos costumes gregos, como uma exortação os judeus fiéis para se manterem nesta fidelidade.
e.3 Lista dos Apócrifos
* Históricos: Livro dos jubileus; Vida de Adão e Eva; Ascensão de Isaías; III Esdras; III Macabeus; O Testamento de Moisés; Eldade e Medade; História de João Hircano.
* Didáticos: Testamento dos Doze Patriarcas; Salmos de Salomão; Ode de Salomão; Oração de Manasses; IV Macabeus.
* Apocalípticos: Livro de Enoque; Ascensão de Moisés; IV Esdras; Apocalipse de Baruque; Apocalipse de Elias; Apocalipse de Ezequiel; Oráculos Sibilinos.
A Igreja Romana, por resolução do Concílio de Trento (1547), aceita apenas os seguintes apócrifos: Judite, Tobias, Acréscimo à Ester, Livro de Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, Acréscimo a Daniel, II e II Macabeus.
